Quem sou eu

Quem é Fátima Sousa?

  • Paraibana, 59 anos de vida, mais de 40 anos dedicados a saúde e a gestão pública
  • Professora e pesquisadora da Universidade de Brasília
  • Enfermeira Sanitarista, Doutora em Ciências da Saúde, Mestre em Ciências Sociais
  • Doutora Honoris Causa
  • Implantou o ‘Saúde da Família’ no Brasil, depois do sucesso na Paraíba e em São Paulo capital
  • Implantou o Programa Agentes Comunitários de Saúde no Brasil
  • Coordenou o Núcleo de Estudos em Saúde Pública
  • Criou o Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva
  • Coordenou o Mestrado Profissional em Saúde Coletiva
  • Dirigiu a Faculdade de Saúde da UnB: 5 cursos avaliados com nota máxima
  • Lutou pela criação do SUS na constituinte de 1988
  • Premiada pela Organização Panamericana de Saúde, pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde 

 

Quer saber mais sobre Fátima Sousa? Ela conta detalhes da sua história abaixo:

Nasci em São José da Lagoa Tapada/PB, em novembro de 1960, de onde sai para me alfabetizar somente aos 12 anos, em Sousa/PB, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora (CNSA). Lá, ainda secundarista, idealizei e criei, em 1981, sob a orientação da Irmã Iraídes, coordenadora pedagógica da instituição, a Escola Experimental do CNSA. Como tantas outras crianças comecei tarde a estudar, mas desde muito cedo aprendi a mudar essa trajetória, não somente para mim, mas para os que partilhavam dos mesmos problemas que eu.

Passadas tantas décadas agora exerço o cargo de Professora Associada do Departamento de Saúde Coletiva e na função de Diretora da Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília, fui eleita pela ampla maioria dos estudantes, técnicos e docentes dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Odontologia, Nutrição e Saúde Coletiva. Mas como cheguei até aqui?

Fui militante da Pastoral da Juventude nos anos 80 e quando fazia enfermagem trabalhei no Projeto de Redução da mortalidade Infantil no Sindicato de Trabalhadores Rurais dirigido por Margarida Alves (mais tarde brutalmente assassinada).

Ainda na década de 80 participei ativamente do processo de construção da Conferência Nacional de Saúde, que viabilizou a pressão popular na constituinte e nos trouxe o Sistema Único de Saúde (SUS).

Ainda na Paraíba, sendo defensora ativa das ações comunitárias em saúde, atuei como coordenadora do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), de 1991-1993, um projeto piloto para a estratégia nacional e fundamental para criar a rede de atenção básica que hoje conhecemos.

Vim para Brasília em 1993. E devido a minha atuação, fui convidada e aceitei coordenar em 1994 a Gerência Nacional do PACS, a convite do Ministério da Saúde (1994-2001), onde também fui assessora na implantação do Programa Saúde da Família (PSF) no Brasil, auxiliando estados e municípios no processo de formação da rede do PACS/PSF, buscando dar visibilidade aos resultados dessas estratégias.

Meu trabalho e compromisso com o fortalecimento da saúde pública me levou para São Paulo (2001), onde trabalhei nas Secretarias Municipais de Saúde e do Verde e Meio Ambiente. Deixei o governo de Marta Suplicy, junto com outros técnicos por não concordar com suas contradições.

Militei, não somente pelo SUS, mas estive junto, com tantas brasileiras e brasileiros que consolidaram essa vitória no processo constituinte, mas também tornei-me reconhecida pesquisadora da área. Fiz doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), mestrado em Ciências Sociais pela UFPB, fiz residência em Medicina Preventiva e Social e graduei-me em Enfermagem também pela UFPB; fiz estágio pós-doutorado no Centre de Recherche sur la Communication et la Santé (ComSanté), da Université du Québec à Montréal (UQAM) e recebi o título de Doutora honoris causa pela UFPB, por minha militância no movimento estudantil e atividades desenvolvidas em todo o Brasil, em favor dos movimentos sociais e pela redemocratização do país.

Por onde passei, fui deixando uma marca. Na UnB implantei e fui a primeira coordenadora do Mestrado Profissional do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e coordenei o Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP) da UnB. Fui vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e, em virtude do meu trabalho, recebi em 2010, em Washington/EUA, o Prêmio Sérgio Arouca para a Excelência em Atenção Universal à Saúde, concedido pela Fundação Pan-Americana para a Saúde e Educação (PAHEF) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Em 2013, recebi do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e do Ministério da Saúde, a medalha Dom Helder Câmara, em homenagem ao Programa de Agentes Comunitários de Saúde. E em 2018, fui laureada com a Medalha do Mérito Oswaldo Cruz, categoria ouro, por meus relevantes trabalhos dedicados à saúde pública brasileira.

Entre os reconhecimentos que recebi dentro e fora do país, sempre destaco em minhas falas públicas minhas origens superadas pela educação e foi por meio dela que, em 2014, recebi da UFPB o título de Doutora Honoris Causa por ter defendido os processos de redemocratização do país. Sempre estive comprometida com a radicalização da democracia, com a dignidade humana e com a superação das desigualdades e qualquer tipo de preconceito.

A defesa incondicional de um sistema público de saúde como um bem supremo do ser humano também está sempre em linha reta nas dezenas de livros, capítulos de livros, artigos e entrevistas que publiquei no Brasil e no exterior. Nos passos sempre firmes que dei em minha caminhada, nunca tomei atalhos: entender que a educação supera todas as barreiras sociais, que ninguém pode ficar de fora dos processos sociais inclusivos, e ter na saúde coletiva, no fortalecimento do Sistema Único de Saúde, na atenção básica e na educação à população excluída de nosso país, os espaços de sua contribuição para mudar o mundo, tendo a Universidade de Brasília como sua grande companheira de lutas.

 

 

 


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