Um ano se passou...

E o povo paga a conta do DES(Governo) com a própria vida

A vida é um preço muito alto a ser pago pelo (des)governo em que vivemos. Um ano já passou desde quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional (Espii), em razão do aparecimento do novo Coronavírus, descoberto em 31/12/19, após casos registrados na China pelo Covid-19.

E o Brasil teve, diferentemente de outros países, um aviso prévio da pandemia que se alastrava. A comunidade científica, política, educacional, econômica, religiosa, cultural, colocaram os saberes e práticas a serviço do país.

Entretanto, o Governo Federal e do Distrito Federal, foram na contra mão, negando a ciência, criando dicotomias entre o valor da vida e da economia, desmontando o maior Programa Nacional de Imunização (PNI), referência internacional há mais de 50 anos, desautorizando as recomendações do próprio Ministério da Saúde na utilização de máscaras e dos cuidados sanitários ao controle da pandemia.

Como se não bastasse, não apresentou a sociedade brasileira um Plano Nacional de Imunização que se antecipasse às compras e produções de vacinas no país. Nesse sentido, o Brasil tem instituições que há mais de 100 anos foram capazes de produzir milhões de vacinas para diferentes agravos.

Grave tanto quanto, criou cizânia entre os poderes federativos da república e entregou à própria sorte, a vida de milhares de mulheres negras e pobres, artistas, pequenos agricultores, comerciantes, feirantes, vendedores varejistas, operadores de caixas, motoristas de ônibus urbanos e rodoviários, entregadores de delivery, professoras/es, entre tantos outros profissionais.

Trata-se de um preço muito caro que já pagamos e que ainda teremos como dívida, caso sobrevivamos ao cenário de desalento instalado nas entranhas do Brasil. A população paga caro, quando os governos obscurantistas não investem na ciência, desestimula as instituições e negam a capacidade das redes de grande e brilhantes pesquisadoras/es;

Pago caro quando a ignorância, prima irmã de incivilidade, prescreve em praça pública o uso de medicamentos sem nenhum estudo ou comprovação científica para tratamento precoce do Covid-19 que já evidenciou ao mundo e ao Brasil que não é "só uma gripe", ao contrário, o novo coronavírus Sars-CoV-2, pode ser letal para alguns grupos de risco, agredindo significativamente o pulmão e podendo deixar rastros em outras partes do corpo, com gravíssimas sequelas. 

Paga caro quando imprime uma narrativa desorganizadora entre as questões de saúde pública e da economia, colocando a vida no mesmo patamar de bens de consumo, fomentando uma cultura do ódio, gerando “patologias sociais”, entre elas o individualismo, os privilégios, a competição e a corrida para os fura filas e “xepas”, que ameaçam os valores da vida, solidariedade, empatia e do amor a si e ao próximo. Grave, tanto quanto, coloca à mesa uma disputa desmedida entre governadores e prefeitos, pressionando-os a seguirem sua ordem econômica, com os olhos em 2022, ao invés de ter se antecipado, acelerado e estabelecido boas relações comerciais com outros países, a fim de prover vacina para toda a população

Paga caro quando tentam emendar a Constituição para desfinanciar o SUS e lota o Ministério da Saúde de militares, que nada entendem de saúde ou do comando do Sistema. Este, vital ao grave e triste momento por qual passa a nação e, por consequência, deixa descarrilhar o PNI, quando não coordena, de forma integrada, os gestores do SUS para seguirem ações necessárias à prevenção de outras doenças, afinal o novo coronavírus não é a única doença a combater. Destaco a vacina contra influenza. É verdade que ela não tem eficácia contra o Coronavírus, no entanto, em virtude da pandemia, poderá contribuir no sistema imunológico das pessoas e auxiliar os profissionais de saúde na exclusão do diagnóstico para o Covid-19, já que os sintomas são parecidos. A vacina, composta por vírus inativado, é trivalente e protege contra os três vírus que mais circularam no Hemisfério Sul em 2019: Influenza A (H1N1), Influenza B e Influenza A (H3N2). 

Paga caro quando despreza, o trabalho de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Endemias, 44 mil Equipes da Estratégia Saúde da Família, 42.488 Unidades Básicas de Saúde, deixando de lado, sem dó nem piedade, a larga experiência das 5.570 cidades em organizar e realizar vacinação em massa.

Paga caro quando banaliza as mortes dos profissionais da saúde, patrimônio de uma nação, sobretudo as auxiliares, técnicas e enfermeiras, em sua maioria mulheres, negras, que enfileiram o grupo mais vulnerável de adoecimento e morte pelo Covid-19 e outros agravos, comprometendo suas vidas e suas famílias.

Paga caro quando o Congresso Nacional veda os olhos para a pobreza, miséria e desigualdades, e aprova a PEC Emergencial, sem valor ainda (talvez R$ 250,00), oferecendo migalhas da riqueza nacional, em troca do congelamento dos servidores públicos. A chantagem não foi maior ainda porque foram retirados os trechos que impedem progressões e promoções de carreira dos servidores e agentes públicos. A despeito dos votos de jovens mulheres e pobres homens, que tomam as praças públicas a contrariarem as recomendações da OMS para o “isolamento social”, um dos únicos remédios capazes de estancar a queda diária de 10 ou mais aviões.

Paga caro quando o mundo nos vê como país “pestilento”. Se não fosse a subnotificação, já saberíamos que ultrapassamos, com folga, os Estados Unidos. E assim seguiremos pagando caríssimo com os entrelaçamentos das ondas, resultante das novas cepas variantes do Covid-19 e que talvez não tenhamos controle porque não se cumpriu o dever de casa.

Passou da hora de darmos um basta nessa escalada da morte. O povo não pode seguir pagando essa conta com a própria vida. Hoje, o preço dessa barbárie já contabiliza 278.229 vidas, que perderam a luta por oxigênio. No Distrito Federal, 5.116 vidas foram ceifadas. Banheiros improvisados nunca foram, nem serão lugares para cuidar da saúde e vidas dos seres humanos.

Queremos VACINA em nossos braços.


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